Sonia Abrão , jornalista , radialista e apresentadora.

Nunca tive crise para escolher minha carreira. Desde pequena queria ser jornalista. Só não sabia se me daria bem na profissão, por causa de uma timidez congênita, que fazia muita gente pensar que eu fosse muda. Optei pelo cursinho de Medicina, desejo da família.


E fiquei na dúvida sobre o que seria pior: o medo de falar ou de ver sangue. Anos 80, movimento feminista bem sucedido, nada do que papai mandar. Dei meu grito de independência: Jornalismo ou Morte!!!! E lá fui eu me arriscar na paixão. Decisão mais certa da minha vida. Na faculdade, comecei a destravar, a me sentir mais segura, ganhei até um concurso de crônicas.


Vieram os estágios, os desafios, teoria e prática, e a vontade de me dedicar ao jornalismo popular, a cara do Brasil para a qual alguns “gênios” de plantão torcem o nariz. Foi assim que trabalhei no Notícias Populares e Diário de São Paulo, em revistas como Amiga, Contigo, Semanário, de repórter a chefe de reportagem: de colunista a radialista – Globo, América e Capital – e a apresentadora de TV, na Rede TV, SBT e Record.


Sem deixar de lado experiências legais como Aqui Agora, Troféu Imprensa, helicóptero do Gugu, Júris mil, que amadureceram meu exercício de comunicação com o público. Na verdade, tive muita sorte de trabalhar na TV com mestres como Silvio Santos, Chacrinha, Flávio Cavalcanti, Hebe Camargo, Faustão... Ser “cria” do genial Hélio Ribeiro em rádio e ter tido minha primeira oportunidade em jornal com um grande professor de redação e na vida, Ebrahim Ramadam. Enfim, acho que o universo conspirou a meu favor!